Session 9

Session 9 (Nona Sessão, 2001) é o filme de terror/thriller mais subestimado dos últimos  tempos. De fato, o filme passou tão em branco ao público em geral, que até encontrá-lo em DVD se torna uma tarefa árdua. Talvez por ser um TV-movie*, o investimento na divulgação tenha sido limitado, assim como, talvez, a produção em DVD em baixa escala.

Ao que me consta, não houve nem comercialização no mercado brasileiro. Só se encontram cópias estrangeiras e/ou usadas. Uma pequena raridade, podemos afirmar.

Este é o quarto filme da carreira de Brad Anderson, que também dirigiu O Operário (The Machinist, 2004) e alguns episódios da série Masters of Horror (2005); no entanto, é o seu primeiro grande trabalho do gênero terror/thriller e possivelmente o melhor de todos. Curiosamente, por se tratar de um TV-movie e com pouco orçamento, a maioria dos personagens são interpretados por atores que atualmente figuram em outras séries, como Phil, interpretado por David Caruso de CSI e Bill, interpretado por Paul Guilfoyle, também de CSI. Ainda atuam Stephen Gevedon (interpretando Mike), que fez episódios de Lei e Ordem e Withe Collar, assim como o ator Peter Mullan (interpretando Gordon), que trabalhou em The Fixer.

O filme relata a história de uma pequena equipe de removedores de asbestos que é contratada para retirar uma quantidade imensa de material de um hospital psiquiátrico abandonado em 5 dias, sob a condição de ganhar uma grande quantia de dinheiro. Com o passar dos dias, o ambiente do hospital abandonado associado aos problemas dos personagens e seus próprios medos começa a interferir no resultado do trabalho e, consequentemente, nas vidas dos próprios personagens. Estes mesmos, além disso, se sentem cada vez mais ligados com o próprio hospital, cada qual por sua própria razão.

O roteiro em si não apesenta nenhuma novidade exorbitante, salvo talvez os próprios personagens que ocupam uma profissão que eu, sinceramente, nem sabia que existia na vida real. E por este fato que conseguimos observar o grandioso trabalho de Brad Anderson e também de sua equipe, princpalmente pela diretora de fotografia Uta Briesewitz (que trabalhou também com a aclamada série The Wire) e pela equipe da produção de som, Climax Golden Twins. A arte dos caras foi o trabalho de transformar um enredo clichê em um ambiente completamente bizarro, assim como um filme de baixo orçamento em uma baita obra.

Graças aos takes e da edição de Brad e de Uta, tomamos noção da grandeza do hospital, dos descasos de seu abandono e de como isto irá ser o fator essencial para que 5 trabalhadores, em um local de tamanha dimensão, se sintam isolados e solitários, influenciando profundamente no psicológico dos mesmos. Além disso, novamente graças a Uta, o jogo de iluminação feito para as locações conseguiu criar um ambiente muito peculiar; ao longo das cenas (e mesmo com a luz do dia), cria-se um clima lúgubre aonde nunca conseguimos observar o fundo das salas, dando uma constante sensação de que há mais gente no hospital além dos trabalhadores (que é reforçada por alguns detalhes ao longo da trama).

Quanto ao som, temos um dos produtos mais bem feitos do cinema. A contradição da trilha foi um dos fatores que mais me agradou no filme. Esta contradição pelo fato de ser uma trilha extremamente minimalista, mas ao mesmo tempo fundamental ao projeto. Dificilmente, ao longo do filme, pode-se ouvir alguma música constante, mas sim, pequenos trechos de poucas notas, sempre colocados em momentos e/ou cenas cruciais, apenas reforçando o ritmo da trama. Isso sem contar no trabalho da voz do personagem Simon, que certamente é uma das vozes mais marcantes de um terror/thriller já feitas.

Tudo isso organizado pela montagem de Brad, que conseguiu criar uma dinâmica no ritmo do roteiro e mesmo com algumas limitações, principalmente vindas de atores sem renome, conseguiu extrair um papel adequado para cada um, convencendo o espectador de que realmente os personagens se enquadram na realidade da história. Mesmo o ator Josh Lucas, que eu sinceramente acho muito limitado, consegue convencer no seu papel canastrão. Vale a pena ver!

*TV-movie: São filmes de baixo orçamento, geralmente bancados por canais de TV americanos e que são diretamente exibidos na programação do próprio canal.

Eu moro nos fracos e nos feridos, Doc.

O filme ainda nos apresenta algumas curiosidades:

– O hospital do filme realmente existiu e se chamava Danvers State Hospital, localizado em Danvers – Massachussetts.

– Algumas cenas do filme serviram de inspiração para os criadores game Silent Hill 3, um dos jogos de terror com maior repercussão até hoje.

Fontes que contribuíram para o post: www.horrorphile.net, zombievamp.blogspot.com, www.wikipedia.org, www.diversionprojects.org, www.youtube.com, www.imdb.com.

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