Masters of Horror

A inimaginável tarefa de reunir os maiores “mestres” de um gênero parece uma atitude intangível. Como dar espaço para todo mundo na mesma ciranda? Foi isso que, em 2005, Mick Garris resolveu “abraçar”.

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Idealizado a partir do documentário Boggeymen II: Masters of Horror, aonde os grandes nomes do terror eram chamados para entrevistas sobre o o gênero, Mick Garris viu então a possibilidade de reunir os mesmos convidados para, ao invés de falar, gravar.

A proposta se resumia em dar cerca de 45 minutos e 1 milhão de dólares para cada diretor gravar o seu episódio. Obviamente, se tratando de mestres (masters) do terror (horror), não poderia cair nas mãos de qualquer amador. E a grande sacada de Mick Garris ficou com a escolha de seus “convidados”; nomes como John Carpenter (Halloween, 1978), Dario Argento (Suspiria, 1977), Takashi Miike (Audition, 1999), John Landis (American Werewolf in London, 1981), entre outros.

Com episódios passando do Gore-Horror* ao “Terrir”, a série é o que pode se chamar de compilação do gênero. Mick Garris fez uma escolha de diretores tão boa que, mesmo com a delimitação do tema, a série parece se reinventar em cada episódio. A imprevisibilidade de cada novo capítulo é uma mistura tão bem feita que, não por menos, a série virou um Cult do gênero.

Sem mais delongas, a melhor maneira de podermos apresentar a primazia desta obra seria apresentando seus cinco melhores episódios. E por isso que eu separei os meus 5 favoritos.

5 – Right to Die

Este episódio é um clássico do clichê-horror. O marido tenta matar a mulher, que não morre mas fica em estado vegetativo. O marido então tenta assinar um acordo para desligar os aparelhos e dar cabo na moça. Mas aí as coisas começam a ficar estranhas e a mulher parece estar mais viva (ao menos em espírito) do que aparenta. Um clássico absoluto.

Embora, como dito, o episódio aparentemente trate de um tema “lugar comum” no terror, com o vilão disfarçado, a vítima injustiçada e a relação sobrenatural de ambos, este curta tem algumas das melhores cenas da série. Inclusive, a cena da fotografia do marido com a amante (vejam e confiram) é possivelmente uma das cenas mais assustadoras do cinema.

Isto sem contar na personagem principal, a mulher, que quando em estado vegetativo (e coberta de bandagem) também é assustadoramente macabra.

4 – Fair Haired Child

Outro clássico-clichê. Uma estranha família sequestra uma jovem pra livrar o próprio filho de uma maldição milenar. Este episódio foi escolhido por dois pontos, principalmente: o porão (da família) e o filho amaldiçoado.

Esta combinação dão ao episódio um verdadeiro ar de thriller, com um clima realmente muito angustiante de suspense. Desde o seu início com o rapto, em uma trama mais presa à realidade, até o desenrolar sobrenatural da história, aonde entram a maldição, o porão e a criatura. A criatura é um bicho tão assustador que possivelmente assustaria  até Samara (Chamado, 2002); alia-se isso a um porão sem saídas e uma perseguição no escuro, está explicado o destaque deste episódio.

3 – The Black Cat

Um dos últimos episódios da série, este é uma adaptação do famoso conto de Poe, sobre um sujeito que é atormentado por um gato-imortal que parece ter vindo de um submundo sobrenatural.

A classe deste episódio está na perfeita adaptação do conto, com uma bela interpretação do personagem principal e, principalmente, do gato. Sim! “Pluto” (o gato) é realmente muito assustador e “atua” perfeitamente bem na filmagem, de forma que mesmo com toda sandice do personagem principal, você realmente passa a acreditar que aquele gato é um ser realmente maligno.

 2 – Cigarette Burns

Imagine um filme tão puro, uma realidade tão mórbida e divina que é capaz de fazer com quem o assista acabe se matando? Esta é a história deste episódio, aonde um investigador vai atrás de um suposto filme (O fim absoluto do Mundo) que faz qualquer um que o assista ficar maluco.

Essa é a contribuição de John Carpenter a série, com uma obra realmente muito boa. O filme, além de possuir um roteiro original, faz uma série de referencialismos a sub-generos do terror que são tidos como lendas urbanas, como os Snuff Movies*. Não só isso, o filme mistura de uma maneira muito singular a religião, criando um personagem (o anjo) atípico e não menos assustador, que o o que se espera de uma série de terror.

1 – Imprint

Este, sem dúvida, é o melhor e mais polêmico episódio da série. Banido em alguns países (por ser considerado violento demais), Imprint (de Takashi Miike) é uma mistura de surrealismo/sobrenatural com gore e terror, tudo no mesmo roteiro. A história conta as viagens de um ex-soldado americano, que no período de guerra conhece uma ilha de prostitutas asiáticas e se apaixona por uma delas. Passado o combate, ele retorna para buscar a prometida.

Sim, pela concepção do roteiro já poderíamos entender aonde um filme com ex-soldados americanos, ilha de prostitutas asiáticas e dirigido por Miike poderia parar…e parou. A obra é uma peça sui-generis até mesmo entre filmes de terror. Primeiro por se tratar de um roteiro não-linear e surreal, no melhor estilo Lynch, aonde não sabemos o que é propriamente realidade e o que é sonho/invenção/mentira.

Depois pela maestria fotográfica da equipe de Miike. O filme é chocante, sim, mas não deixa de ser bonito. Muito bonito. No trailer acima já podemos reparar como o diretor mescla bem as cores, como na cena dos cataventos ou dá árvore com os lenços vermelhos. E isso torna tudo mais bizarro; na teoria, uma história tão grotesca não poderia ser esteticamente bonita…mas é.

E por último, Miike proporciona uma das cenas de tortura mais aflitivas já feita. No decorrer da cena é impossível não sentir um mínimo de angústia.

Mesmo com a genialidade da série, esta obra de Miike acaba se destacando das demais.

Bom, por enquanto é isto. Fica a dica de presente para o final de ano, caso alguém goste de terror! A série é encontrada para vender no Submarino.com, cada episódio vendido separadamente, o que é uma pena. Quem estiver procurando alguma coisa para comprar, com certeza vale o investimento!

Boa Noite e até a próxima sessão!

Gore-Horror*: Filmes com cenas explícitas de violência, mortes etc.

Snuff Movies*: Filmes aonde, supostamente, as filmagens de morte são reais.

Fontes que contribuíram para o post: dreadcentral.com, joshguajardo.blogspot.com, thescope.ca, youdirtygore.tumblr.com, ebay.co.uk, imdb.com, wikipedia.org, youtube.com

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