Doghouse

A melhor descrição que eu vi sobre este filme foi em um comentário do Youtube, o qual eu sinto que seria justo iniciar este post: como um filme com Danny Dyer sobre mulheres-zumbi pode ser bom?…e é!

Nada poderia ser mais verdadeiro. Mas, para situar vocês sobre o “porquê” de tal filme ser tão bom, primeiro, temos que analisar a sua proposta: o filme discorre sobre um sujeito comum, em depressão, chutado pela sua namorada de casa. Seus amigos, então, para anima-lo, resolvem leva-lo à cidade da Inglaterra com a maior concentração de mulheres por metro quadrado. Só que a cidade e as mulheres não parecem estar no seu perfeito juízo, tentando de todas as maneiras matar a todos os homens que cruzam seu caminho.

G-E-N-I-A-L

Como alguém poderia bolar isto? A resposta é simples: comédia britânica. Com todos os clichês que a classe está disposta a dar, esta é mais uma (das boas) comédias britânicas desta nova geração, reforçando ainda mais o argumento sobre o humor curioso mas bem bolado dos bretões. Eles sabem fazer humor, sejamos francos. A boa percepção pra criar situações inusitadas, os diálogos detalhados dando pano de fundo aos personagens, a preocupação com o roteiro e desenvolvimento, com a fotografia, os caras entendem de comédia. E neste filme não é diferente.

Seus grandes méritos estão em vários pontos ao longo da obra. A começar pelas atuações, embora envolvidas na sua maioria com atores desconhecidos, nenhum dos papéis fica devendo. Os atores se enquadram muito bem em seus personagens; com atuações convincentes, os caras conseguiram dar vida aos estereótipos de namorados, cada qual com sua característica e seus problemas. Menção honrosa, também, ao grande Danny Dyer, mais uma vez interpretando um sujeito de maneira muito escrachada, mas não menos hilário. Há duas cenas, inclusive, que eu acho geniais demais. A primeira, logo no começo, quando Mikey resolve explicar os bolsos de sua calça militar. A segunda, já no final, quando os personagens ficam num tremendo diálogo sobre a injustiça da situação que se meteram, dentro do ônibus destruído. Muito bom!

Adjunto à boa atuação, há ainda um roteiro muito conciso, embora com um filme curto, mas que se desenvolve muito bem. Não há grandes rodeios ou mistérios, o filme vai direto ao ponto com sua ideia. É para ser isso, então assim será. Não há enrolações, histórias paralelas, explicação profunda de personagem, flashback, nada. Uma história linear e contada de uma maneira muito rápida, o que a princípio poderia parecer meio precipitado, dado a quantidade de personagens envolvidos, mas que com o passar da trama, se mostra como outro acerto, de modo que mantém a intensidade do filme do começo ao fim. Isto faz com que a obra não perca seu propósito, aquele ar de terror-comédia B com um humor tipicamente inglês.

Uma coisa que achei interessante e que deu um toque muito peculiar ao filme é a localidade em si (West Sussex), o cenário escolhido para filmagem. A cidade em questão representa muito bem aquelas pequenas comunidades da Inglaterra que ainda parecem viver nos anos 60, com casas de alvenaria e ruas de paralelepípedo, comunidades semi-rurais e muito religiosas. A situação proposta ao filme, com mulheres zumbis, um terror moderno, “jogou” bem com o antagonismo da cidade em si, que parece o típico lugar que nada de emocionante aconteceria nunca, mas que sofreu uma reviravolta bizarra. Outro fator bacana, além do cenário, são os zumbis-mulheres. Todas com uma maquiagem muito bacana, cada uma ficou mais marcante que a outra. Ao longo da trama aparece uma quantidade absurda de mulheres, mas do início ao fim você consegue distinguir TODAS, porque cada uma apresenta alguma peculiaridade visual, seja na roupa, no jeito de andar ou agir.

É claro, como disse no início, há alguns clichês claros, como a entrada do filme, clássico no cinema mainstream contemporâneo inglês, aonde os personagens são apresentados com uma pausa em uma cena específica e o nome aparece na tela, quase como uma revista em quadrinhos. Não só isso, faz uso de uma trilha bem comum, um legítimo “feijão com arroz” embasando o filme, tentando “dosar” as emoções conforme a música que toca e a situação que os personagens se envolvem. Claro, tinham de haver pontos fracos; o que não se desmerece a obra como um todo e que, por sinal, até cria uma unidade maior a coisa toda, dando aquele ar clássico bretão.

Enfim, uma boa comédia para descontrair, passar o tempo e ver despreocupadamente. Vale a pena conferir, dar umas risadas e imaginar o que acontece no final de tudo.

Boa Noite e até a próxima sessão!

Fontes que contribuíram para o post: bloody-disgusting.com, youtube.com, imdb,com, wikipedia.org

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