O Casamento de Rachel

O filme do diretor Jonathan Demme, o mesmo de Silêncio dos Inocentes (1991) e Filadélfia (1993), realmente me surpreendeu. Em quase todos os sentidos.

A verdade é que eu imaginava um filme completamente diferente, com personagens bem menos complexas; apenas um drama familiar, com brigas por motivos mais superficiais e afins. Mas antes de assistir resolvi ler a sinopse do filme, e a surpresa começou ai.

O filme gira em torno do casamento de Rachel (Rosemarie DeWitt) e seus preparativos, e da chegada de sua irmã Kym (Anne Hathaway) para o evento. Porém, Kym está chegando de uma clinica de habilitação, e sua chegada traz de volta sentimentos e conflitos que sempre existiram mas que todos evitavam.

Anne Hathaway está ótima como ex-viciada em drogas, mas algo nela não me convence muito, sempre vou me lembrar dela como personagens boazinhas. Mas não posso deixar de tirar o mérito da sua interpretação que consegue fazer o espectador odiar sua personagem durante boa parte da história.

Ao analisar as duas personagens centrais, vemos que elas não são apenas a filha perfeita e a filha problemática. Elas vão além disso: Kym se sente um estranha na própria casa onde cresceu, e vê todos a sua volta completamente diferentes do que ela conheceu, sentido-se como se não pertencesse mais aquele lugar e aquela família. Já Rachel teve que crescer e amadurecer muito depressa, em função das tragédias e crises de sua irmã, que faziam com que todos a deixassem de lado; porém aprendeu a manter o equilíbrio, mantendo a família o mais unida possível.

Sarcasmo e ironia, além de um humor desconfiável fazem parte de Kym. A personagem enfrenta a todos, ela carrega culpas e angústias dentro dela que só podem ser resolvidas expondo isso aos outros; embora o momento não seja apropriado. A briga pela atenção, com a irmã, dá raiva em certos momentos, afinal de contas, até um determinado momento parece que a personagem de Anne Hathaway só faz isso por birra, por narcisismo e egoísmo.

Mas no discorrer da história, entendemos que não, que vai muito além da aparência de menina má e rebelde. Também vemos que Rachel não é aquela filha perfeita, ela também tem defeitos e falhas, ao tentar excluir a irmã (com um pouco de razão, né?) de sua, por conta de tudo que a irmã a fez passar.

Sem dispensar os momentos tensos, e sem ultrapassar o limite do drama, fazendo algo surreal, o diretor conseguiu mostrar de uma forma extremamente simples e natural o lado mais fundo dos personagens.

O filme de Jonathan Demme têm personagens complexas, onde ninguém é perfeito, todos só estão buscando paz interior e felicidade. É impossível escolher um personagem para torcer e tomar partido: todos têm os dois lados, ninguém é inteiramente bom e perfeito, assim como nenhum deles é de todo ruim e errado.

Mas eu preciso colocar aqui o quanto esse filme me lembrou de outro. Ao final do filme, lembrei instantaneamente de 28 Dias (2000) com a Sandra Bullock. Olhando bem, ambos têm características bem parecidas: ambas as protagonistas, Hathaway e Bullock, interpretam ex- viciadas, que passaram/estão na clinica de reabilitação, as duas usam cabelos curtos e escuros, as duas tem irmãs as quais arruinaram a vida e casamento (uma arruína de fato, a outra quase). Em fim, várias semelhanças, mas gostei mais de O Casamento de Rachel, mais interessante, profundo e mais bonito.

O Casamento de Rachel é um filme que merece ser visto. Falar sobre seguir em frente depois de uma tragédia, amor e problemas familiares não é fácil de ser feito, ainda mais de uma forma natural e sem exageros.

Até a próxima sessão!

Links que contribuíram para esse post:

http://www.amalgama.blog.br/04/2010/o-casamento-de-rachel/http://www.imdb.com/title/tt0191754/http://www.imdb.com/name/nm0001129/

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