Heavy Metal

Quem aqui já viu este desenho? Admirado por uns, odiado por outros, uma obra que fez muitos amigos e muitos inimigos. Heavy Metal, um dos primeiros longas de animação com um direcionamento mais adulto.

A história trata sobre um objeto (uma bola verde) oriundo do espaço e que para na Terra, vindo nas mãos de um astronauta – em um carro – e que presenteia a filha com o mesmo. Daí em diante, o filme roda sobre um monte de pequenos curtas, cada qual sem nenhuma ligação aparente, mas todos mostrando como esta bola verde é o ser mais malvado da galáxia.

Pura loucura. Loucura, até demais. Os curtas passam por um suspense meio noir envolvendo um taxista no futuro, um nerd que vai parar em uma dimensão paralela e vira herói, o julgamento de um criminoso intergalático, uma sociedade zumbi em uma ilha, dois aliens com problemas de drogas e, por fim, uma justiceira ancenstral que há de salvar um povoado. Todos, ligados apenas pela bola verde, conhecida como Locnar. Nada muito literal, a compreensão de tudo se dá por livre interpretação dos espectadores; não há maiores explicações sobre nada. Porque Locnar faz aquilo? Qual a ligação de Locnar com tudo? Qual a ligação dos curtas de um modo geral? Interpretação, cabe a cada um que viu chegar a conclusão que bem desejar.

A livre interpretação ao qual o autor deixa a obra, por sinal, nos abre um patamar interessante. A falta de qualquer senso aparente, de relação entre os pontos de desenvolvimento da história, tal como a participação de Locnar em todos os locais, infringe uma certa “ligação” nos conceitos, tentando a todo custo estabelecer um padrão de “mundos” em vários “universos” diferentes. No final, tudo se liga, mas nada se liga. E por isso está lá, Locnar. E, também por isso, o subtítulo abrasileirado, conhecido como “universo em fantasia”.

A “fantasia” da obra se faz, justamente, na arte de dar a liberdade de interpretação, através de quem o assiste pensar o que bem entender. E sua mágica, essencialmente, não está na lógica matemática, mas na visão subjetiva dos mundos. A “fantasia” como objeto da imaginação. Cada um vê as coisas como quer. E é por isso que o grande destaque, como um todo, são os próprios curtas.

Os curtas são completamente insanos; desmembrando qualquer preceito moral que, ainda na época, era muito presente na sociedade, os curtas buscam chocar através de diferentes temas. Levantando, com ironias, algumas questões interessantes, são a grande jogada do filme.

Passando por problemas sociais de um futuro em um Estado falido, a mudança de vida pessoal de um personagem, um tribunal corrupto, drogas e preconceito, assim como um final com uma batalha épica entre o bem e o mal. Uma mistura de várias situações, grandes problemas sem soluções, encabeçados em uma estética futurista não muito promissora. Quase como MadMax, visando uma ideia cyberpunk sobre a sociedade vindoura, em um cenário pós-apocalíptico e vivendo sobre os escombros de uma antiga civilização. Uma mistura de mundos ao qual, em todos os casos, o cenário mostra o lado mais sombrio do homem, com problemas de violência ou selvageria quase animal. O instinto que o ser humano não pode se livrar.

Muito contestado por alguns, justamente pela suposta falta de nexo aparente, a qualidade da obra está justamente na sabia mistura dos elementos, na proposta de “testar” um novo nicho (a animação adulta), mesclando elementos do universo das HQs e histórias infantis com situações mais polêmicas. A falta de nexo aparante, dá lugar a interpretação e, mesmo os curtas com roteiros afastados, se ligam no mesmo discurso – ou crítica – sobre o homem, em diferentes sociedades mas com os mesmos anseios e problemas.

Não muito longo, vale a pena dedicar um tempinho à obra. Mesmo atualmente, com alguns problemas por causa das animações feitas com tecnologias antigas, continua um grande filme!

Boa Noite e até a próxima sessão!

Fontes que contribuiram para o post: imdb.com, youtube.com

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s