Bronson

Na onda de Tom Hardy, elencado para viver o vilão Bane no novo filme de Batman, resolvi aproveitar a recente fama do rapaz e escrever sobre o seu melhor e mais subestimado filme: Bronson.

Para quem não viu, pode ver que vale o tempo. Um projeto quase desconhecido, arrojado e com um resultado magnífico.

Bronson trata da história do criminoso mais famoso dos presídios britânicos, nascido como Michael Gordon Preston, mas autointitulado de Charles Bronson. O sujeito passou mais da metade de sua vida encarcerado, agredindo guardas e pulando de prisão em prisão por causa do seu mal comportamento famoso. Já ganhou vários prêmios em concursos de literatura e incentivo para presidiários e ainda escreveu um livro de como se praticar exercícios em ambientes pequenos (oriundos de seus anos em solitária). Uma figura ímpar.

A obra, dirigida por Nicholas Refn, tenta mostrar de uma maneira não linear e pouco comprometida com uma verdade histórica-biográfica, como foi a vida de Bronson e pelo que ele é conhecido na Inglaterra. Tão louco como a figura do personagem é em vida real, foram as opções de Refn por conduzir o roteiro, que deixou a obra genial e tão peculiar, fazendo jus ao homenageado em questão. Ao longo de todo o filme, vemos uma mistura de biografia não-cronológica e momentos baseados em fatos reais, com passagens de Bronson (Tom Hardy) em um teatro, comentando sobre a sua vida, como se fosse uma grande interpretação, tudo uma grande armação artística elaborada por um artista bizarro.

Por todo tempo da obra vemos o Bronson “real” em ação e vivendo nos seus constantes e imprevisíveis ataques de violência, contrastando com o Bronson “metalinguístico”, no palco, explicando tudo através de um discurso quase poético. Vemos sua infância de brigas na escola, seus crimes e assaltos, sua vida agitada na prisão e fora dela. Do outro lado, vemos o Bronson atuando, discutindo sobre ele mesmo e a repercussão dos seus atos para com o que seria o seu “projeto de vida”, discursando através de si mesmo de como tudo é/foi elaborado, quase um filme da sua própria vida.

Refn e Tom Hardy.

É incrível a capacidade de Refn ao elaborar a ousada biografia – se é que podemos chama-la assim – por justamente dar uma execução excêntrica a uma personalidade excêntrica. Mas, além disso, devemos elogiar o diretor principalmente em dois pontos:

1 – Criar uma história envolvente e interessante sem necessariamente se apegar a realidade dos acontecimentos. Praticamente reescreveu a figura “Bronson” sem mudar a sua essência.

2 – Jogar bem o universo do filme “artístico” com a trilha sonora, que se ajeita ao longo de toda a trama de uma maneira brilhante, dando um ar meio cômico a tudo.

Tirando os grandes méritos do diretor, ainda temos a atuação impecável de Tom Hardy, que caiu como uma luva no papel. Eu confesso que nunca tinha visto nenhuma participação em filmes do sujeito que tivesse me marcado, assim como fui descobrir a poucos dias que eles estava elencado para fazer Batman. Na verdade, já sabia que Bane seria interpretado por Tom Hardy, mas nunca tinha o associado com o papel de Bronson, achando que era outro ator.

O verdadeiro Charles Bronson, o criminoso.

Realmente a atuação muito convincente de Tom Hardy nos garante, como espectadores, a ideia de que o mesmo se trata de um prisioneiro psicopata, passando pelos mais ilustres momentos e vivendo de uma maneira não convencional, imaginando tudo com “outros” olhos que não o do senso comum, sempre interpretando acontecimentos triviais de uma maneira bizarra.. A voz do ator ainda deu um toque muito peculiar ao personagem, que ficou muito ainda mais vívido e convincente, efetivamente parecendo um louco transviado que não se encaixa no mundo. Foi uma boa união, uma escolha que deu certo e trouxe grandes benefícios. Não só isso, tanto ator como criminoso, se parecem muito fisicamente, o que deu uma credibilidade iconográfica ao papel.

Enfim, um projeto ousado que deu certo. Tanto diretor quanto ator confiaram na proposta da excentricidade e exploram isso muito bem. Contaram com um certo “humor ácido”, sútil, bem característico do universo bretão e, graças a essa mistura perfeita, fizeram um grande filme.

Aproveitem para vê-lo antes de Batman e comparem a atuação de Tom Hardy nos dois!

Boa Noite e até a próxima sessão!

Fontes que contribuiram para o post: imdb.com, wikipedia.org, overmedia.com, frontroomcinema.com, tomhardyparty.com, dvdbeaver.com, claytoncubitt.tumlbr.com

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