The Football Factory

Este é o filme absoluto sobre futebol. Fuja de todos os outros, porque aqui estamos falando como as coisas acontecem de fato. A realidade a flor da pele.

Quando falamos de filmes de futebol, sempre temos exemplos que pecam em algumas coisas. Ou o filme se apega muito à prática do esporte em si, esquecendo de todo universo que envolve a “cultura torcedora”, ou então romantiza demais o ato de torcer, tornando tudo excessivamente piegas. E é por isso que merecemos dar destaque a esta obra em questão.

O filme, dirigido por Nick Love, conta a história do livro homônimo de John King. Nele, temos a história de Tommy Johnson (Danny Dyer), um torcedor do Chelsea envolvido no universo dos hooligans ingleses, que aparentemente começa a ter sonhos estranhos sobre o seu futuro e as brigas ao qual o mesmo se envolve em nome do futebol. Estes sonhos, sempre guiados pelo mesmo pensamento: valeu a pena?

A ideia é bem simples. Ao longo da história, nos aprofundamos melhor no personagem vivido por Danny Dyer, entendendo sua relação com o futebol, seu envolvimento com drogas, as brigas, as torcidas e seus amigos. Também é mostrada a sua relação com o avô, veterano da guerra, da mesma maneira ao qual se aprofundam alguns outros personagens, como o seu amigo Rod – seguindo as mesmas filosofias de Tommy – e o amigo Billy Bright, um hooligan mais velho e com um humor tempestuoso que frequentemente acaba provocando brigas desnecessárias.

Tudo muito prático, porém brilhante. A sacada de tudo está em como as relações se desenvolvem. Méritos do escritor, claro, além da grande adaptação de Nick Love, o grande ponto forte do filme se dá, principalmente na honestidade de tudo. Diferente dos outros do gênero, Football Factory não romantiza os personagens, nem busca criar relações clichê para a história de cada um; aqui, não há heróis nem traidores. Tudo se desenvolve da maneira mais cru possível. Os personagens principais, quase como em um documentário, são mostrados explicitamente como se espera: a classe média-baixa inglesa, com um emprego sem muito futuro, pouco dinheiro, com poucas diversões de gostos duvidosos, envolvendo brigas, futebol, cerveja e drogas.

Em nenhum momento do filme há maiores explicações para nada. Os personagens são aquilo, aquelas mesmas figuras que ficaram conhecidas ao mundo nos anos 80 pelas constantes brigas nos estádios ingleses, são neste filme “desmistificados”, ora acabando com todo o glamour representado pelos conhecidos hooligans. O que se vê ao longo da obra é bem objetivo, sem muitos rodeios; a maestria de tudo ficou a cargo da boa construção oriunda da obra original, que não tenta valorizar ou hiperbolizar a ação dos hooligans, criando um cenário surreal de amor ou ódio para os personagens. Trata eles como eles são, um perfil bem exposto de homens de baixa renda que se envolve em brigas pelo simples prazer de brigar, relegando o futebol ao lado mais cru e uniforme que se espalha pelo mundo: a violência das torcidas dentro e fora do estádio.

Durante toda a projeção, a cada ação de Tommy Johnson e as suas besteiras – fazendo o mesmo ser perseguido pela cidade por torcedores do time adversário – o filme vai aprofundando a pergunta “valeu a pena?” cada vez mais, sempre levantando os contrastes de todo o processo, de modo a mostrar principalmente Tommy, mas também seus amigos, ora em situações de puro divertimento, mas também em situações de puro risco, colocando em xeque a pergunta e aflorando a dualidade de sua resposta.

A obra ainda tem outros grandes méritos. Gravado na Inglaterra, com atores ingleses (e, inclusive, com a participação de dois hooligans reais), o filme se desenvolve com uma naturalidade muito convincente. As atuações, os trejeitos dos personagens, os ambientes e as roupas, tudo mantém o ar necessário para desenvolver a nossa noção do universo retratado no filme. Quando vemos a película, temos a certeza de que todos os elementos do subúrbio londrino, assim como seus personagens, estão ali dispostos da maneira mais real possível. E é desta forma que o filme garante um grande diferencial aos outros do gênero, mesmo contando com poucos recursos, garante uma singela força de expressão que se dá pela sua vontade de mostrar “a coisa como ela é”.

Tudo é tão bem elaborado que, ao longo da obra, mesmo com a ideia realista do diretor de evitar a romantização, acabamos nos apegando aos personagens, ao submundo do filme e das torcidas e, claro, tentando entrar na cabeça de Tommy Johnson para responder a pergunta que lhe é feita desde o começo: valeu a pena?

Mas isso, você só saberá a resposta ao ver o filme. Alugue na locadora, pegue a sua cerveja e entre na cabeça de cada um daqueles que ali aparecem. Quem sabe você não acabe respondendo a pergunta antes mesmo de Tommy:

Boa noite e até a Próxima Sessão!

Fontes que contribuíram para este post: www.wikipedia.org, www.imdb.com

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