Precisamos Falar Sobre Kevin

Na verdade alguém deveria ter falado sobre ele, e com ele antes de tudo. Quando ainda era uma criança.

Eu não li o livro, por isso vou focar apenas no filme, já que não tenho condições de comparar as obras, e dizer se foi ou não bem adaptado. Mas já vou colocar aqui: gostei do filme. É chocante, frio e até mesmo perturbador.

O filme baseado no livro homônimo de Lionel Shriver, e não, esse por sua vez, não é baseado em fatos reais (apesar de terem ocorrido casos semelhantes, que provavelmente serviram de base para a autora). No romance, Shriver aborda o tema, massacres escolares cometidos por alunos (sem razões aparentes), porém do ponto de vista da mãe, mais especificamente da mãe de Kevin.

No livro, Eva, mãe de Kevin, escreve cartas para o pai do rapaz, revendo toda a sua vida e trajetória, tentando entender como as coisas chegaram ao ponto que chegaram, e como Kevin se tornou um assassino; além de se questionar se ela própria tem alguma relação com isso.

O filme trabalha com flashes, mostrando assim todas as recordações de Eva – vivida excepcionalmente pela atriz Tilda Swinton – e a vida dela hoje, após a tragédia.

Eva é uma mulher que sempre foi livre, para fazer o que bem entendesse, porém, após engravidar, ela acaba se vendo presa a um filho (que aparentemente não queria), se sentindo divida entre sua liberdade e a exigência, que ela mesma se impõe, de ser uma boa mãe. Com um marido sonhador, e até mesmo ingenuo por não enxergar o que acontece, vivido otimamente por John C. Rilley, Eva acaba relevando o comportamento do filho. Porém, após o massacre, e de ter sua vida devastada, Eva passa a se perguntar onde as coisas saíram do caminho.

Kevin é um monstro. É um psicopata sem a menor sombra de dúvida. Desde criança, vemos no filme o quanto ele é cruel e sem sentimentos. Como adolescente, Kevin, interpretado brilhantemente por Ezdra Muller, não muda; se torna mais frio e mais distante de todos. Ele não tem nenhuma empatia, é como se ele não tivesse nenhum lado humano. Já vimos diversos assassinos nas telas, mas em termos de frieza e de crueldade, eles não chegam nem perto de Kevin.

Ao final do filme, é possível que o espectador se questione, como uma mãe não percebe que tem um filho com comportamento agressivo, anti-social e totalmente cruel; ainda, por que ela não fez nada.

É fácil questionar. Porém, no decorrer do filme, podemos ver a luta interna pela qual Eva passa para conviver com o filho, para aceita-lo e até mesmo ama-lo. Ele, sem querer, tirou tudo que ela mais prezava, e ela nunca negou, embora também não tenha admitido, que não queria aquele filho. Talvez por isso Eva tenha fechado os olhos e tentado amenizar, a seu modo, e achar desculpas para o comportamento de Kevin: se culpa por não ama-lo.

Também é fácil questionar o que leva uma pessoa, no caso do filme, um adolescente, a cometer o massacre que cometeu. E esse tipo de crime, de acontecimento, não é incomum. Muito pelo contrário. Columbine, que inspirou o filme Tiros em Columbine, talvez seja o mais famoso desses massacres que ocorrem aparentemente sem ter um por que. Acredito que o objetivo de autores e cineastas estarem trazendo isso para o público é uma forma de chamar atenção para esse tipo de coisa. Pois seja por bullying ou por qualquer outro motivo, fazer o que o Kevin fez é algo impensável e inaceitável.

Falar dos atores e de suas atuações nesse filme é algo fácil. Todos se envolveram em seus papéis de forma incrível, é muito real o que eles passam para o espectador: raiva, medo, tristeza, entre diversas outras emoções.

O filme, dirigido por Lynne Ramsay, tem uma ótima fotografia e trilha sonora. Porém, um detalhe que acredito que merece destaque: a utilização da cor vermelha, sempre presente antes de mostrar algum fato marcante. Num primeiro momento temos a tela vermelha, que se transforma na guerra de tomates, que ocorre na Espanha, um marco da liberdade de Eva. Logo depois, o mesmo vermelho, e outros tomates sendo jogados em sua casa, podendo ser visto como um sinal de repressão. A cor representa não só os momentos de violência de Kevin, mas os conflitos internos de Eva, e até mesmo sua paixão pela liberdade e vida que tinha, como na cena descrita acima.

Precisamos Falar Sobre Kevin é um ótimo filme. Mas não sei se recomendo para todas as pessoas, afinal aborda alguns temas complicados, que vai desde a criação dos filhos, até lidar com os problemas e as ações deles. O filme é realmente chocante, mas muito bom! Para os que forem assistir, preparem-se!

Até a próxima sessão!

Links que contribuíram para esse post: http://www.imdb.com/http://pt.wikipedia.org/wiki/Temos_de_Falar_Sobre_o_Kevinhttp://www.youtube.com

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