A saga de Peter Sellers como Inspetor Clouseau

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A Pantera Cor de Rosa, dirigida por Blake Edwards entre 60 e 80, é considerada uma das sagas de humor mais bem sucedidas de todos os tempos. E, grande parte disto, está creditada ao seu carismático personagem, conhecido como Inspetor Clouseau, em sua melhor interpretação na pele do tão aclamado Peter Sellers.

Peter Sellers era um indivíduo enigmático, com alguns problemas de relacionamento e depressão, enfrentou dificuldades com o alcoolismo e drogas; viveu épicos personagens mas possuía uma vida particular bizarramente catastrófica. Chegou a declarar, em uma oportunidade, que odiava tudo o que fazia e, em outra passagem, alegou que ele mesmo não possuía identidade fora dos personagens que interpretava. E talvez isto explique a grandiosidade de sua interpretação como Clouseau.

O atrapalhado inspetor de polícia vive uma dualidade incrível, em misto de genialidade e insensatez constante. É responsável por prender gênios do crime, é responsável por desvendar roubos elaboradíssimos, mas ao mesmo tempo é completamente atrapalhado e desfuncional em suas investigações, pecando nos detalhes mais simples. Clouseau constantemente quebra coisas, tropeça, cai, é pego nos seus disfarces e/ou compromete a investigação como um todo, mas resolve os grandes quebra-cabeças criminais de alguma forma quase mágica. No entanto, Clouseau nunca repara nos seus erros; de um cinismo humorístico para poucos, o inspetor nunca admite suas trapalhadas, sempre atribuindo as mais esdrúxulas explicações para qualquer detalhe, inclusive, colocando a culpa em terceiros. A identidade de Clouseau e o “cinismo humorístico” estão, principalmente, na genialidade de Sellers, ao interpretar o personagem sempre com um ar de seriedade absurdo, quase que numa herança natural do também conceituado Buster Keaton. Ao longo das mais mirabolantes cenas, das diferentes situações completamente bizarras, Peter Sellers nunca ri ou demonstra emoções, garantindo uma expressão única ao personagem.

h06X1bhLzwQ6uLsrrcAM5lcJt35A tônica da saga, justamente misturando as situações de mais absurdo pastelão com a seriedade de Clouseau, dão o ar do contraste ao personagem, carismático pela sua – quase inocência – ao agir, mas ao mesmo tempo pensando ser o maior detetive de todos, mantendo sua postura de investigador sério nos mais absurdos momentos. Peter Sellers ainda garante um carregado sotaque francês que, aliado ao seu inglês britânico, torna a fala do inspetor um verdadeiro exercício de risos; além de suas expressões faciais, o sotaque estranho acaba ganhando contornos ainda mais hilários, mantendo uma característica muito peculiar ao inspetor. Junto a isto, ainda temos toda a expressão física de Sellers, que garante um caminhar e postura ainda mais desconcertante ao personagem, sendo uma figura completamente desconexa nas mais simples cenas, parecendo um policial, mas ao mesmo tempo parecendo um completo maluco.

Embalado pela belíssima direção de Blake Edwards, nas mais mirabolantes histórias de detetives, Peter Sellers encara o personagem fazendo jus a sua frase, dando vida de uma maneira sublime a carismática série que, talvez, possa dizer mais do que sua vida fora das telas. O que seria desta obra, afinal, não fosse a participação emblemática do Inspetor Clouseau?

Boa Noite e até a próxima sessão! Fontes que contribuíram para este post: imdb.com, youtube.com, wikipedia.org

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