The Call

call-for-hairEste é o novo filme de Brad Anderson, uma das novas (nem tão novas assim, ok) caras do suspense/terror e que, novamente, nos traz outra boa obra. Eu já havia comentando sobre o Session 9, filme do mesmo diretor, muito tempo atrás, lá nos primórdios do blog. E, novamente, vamos falar de outra obra do diretor, no mesmo estilo de filme.

The Call revela a história de uma atendente do 911 (Jordan), interpretada por Halle Berry, que recebe uma ligação sobre uma invasão domiciliar. Por descuido nos protocolos de atendimento, a invasão domiciliar acaba evoluindo para sequestro seguido de homicídio. Justamente por perceber a falha de atendimento, Jordan reconhece o erro e acaba se culpando pelo homicídio. Meses após o acontecido, Jordan recebe uma ligação parecidíssima, concluindo que, talvez, seja o mesmo assassino que da outra vez. Evitando levar a morte da segunda garota sequestrada, desta vez, Jordan tenta corrigir os erros anteriores para que não aconteça o homicídio.

Com uma carga totalmente emocional e embasada na relação específica de um personagem (Jordan), o filme se desenvolve muito bem e em um ritmo fantástico. Não é a obra mais sensacional dos últimos tempos, claro, nem sequer o melhor projeto do próprio Brad Anderson, mas ainda assim, consegue entreter o público e levar algumas novidades ao espectador, que não espera nada do filme e pode sair bem surpreso.

A história com um roteiro simples é logo absorvida pela trama veloz com que o filme é dirigido. Todos os acontecimentos são passados rapidamente para, inclusive, dar noção sobre o problema em questão: a morte da garota sequestrada pode ser iminente, caso o sequestrador se descontrole (como no primeiro assassinato). Brad Anderson notadamente desenvolve um trabalho de não deixar o espectador quieto, fazendo toda trama se passar muito rápida, entrando justamente na realidade aonde vemos o “problema” da personagem Jordan que, a qualquer minuto, pode salvar ou condenar a vida de outra vítima e, desta vez, aprofundar sua culpa mais ainda ou encontrar a redenção de seus atos. Vemos isso principalmente em alguns elementos chave, como o fato do filme passar boa parte do tempo concentrado em veículos, aonde acabam potencializando a nossa noção de “rapidez” com que os eventos ocorrem, principalmente pela velocidade dos carros. Não só isto, a passagem temporal do filme acaba sendo muito dinâmica; a diferença da primeira morte para a segunda não dão a “sensação” de tempo passado, o que acaba por potencializar a velocidade do filme, funcionando muito bem na tentativa de prender o espectador pela sua ação frenética, desencadeada por um psicopata instável e violento.

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A interpretação de Halle Berry também nos garante uma vividez de detalhes muito concisa. Primeiramente, sendo uma funcionária exemplo que, após o primeiro homicídio, passa a questionar as próprias ações e forças, justamente potencializando o “problema” e se envolvendo demais com a segunda vítima, o que acaba gerando um mal-estar para ambas as partes. Com um personagem de expressões muito fortes, vemos toda realidade dos fatos no próprio rosto da atriz, que consegue captar a dimensão do papel e criar uma profundidade muito grande com o problema acontecendo e, claro, com a debilidade de ter que lidar com uma situação aonde errou a primeira vez, não sabendo se conseguirá consertar suas próprias falhas. O filme também conta com outros ótimos papéis, interpretados, também, pelo personagem da vítima (vivido por Abigail Breslin) e pelo personagem do sequestrador (vivido por Michael Eklund). A vítima se mostra inteligente, mas não exageradamente esperta, dando ainda mais realismo ao nervosismo do sequestro. Da mesma forma, o psicopata completamente descontrolado garante a sensação de inquietude durante toda trama, aonde o mesmo parece pronto para matar a vítima a qualquer momento.

O esmero de Brad Anderson em garantir bons enquadramentos e planos bem feitos ainda dão um ar de maior qualidade ao filme que, em alguns momentos, consegue escapar do viés “blockbuster” de um suspense e ação “baratos” e passar para uma visão mais artística; como na cena aonde Jordan e o namorado se encontram no telhado para conversar; tudo se desenvolve com muita naturalidade e leveza fantásticos, com uma bela sequência de imagens bem enquadradas que acabam por garantir uma cena que, embora não seja muito importante ao filme, ainda assim acaba sendo visualmente muito interessante.

O ponto baixo do filme fica para um final sem pé nem cabeça, num caráter quase cômico e fugindo de todo realismo que o projeto tenta apresentar. Os últimos 10 minutos de filme acabam parecendo uma variedade de cenas de “terrir”, no melhor estilo Sam Raimi , completamente longe da adequação ao projeto inicial e vislumbrando uma falta de nexo tremenda. Você fica se perguntando se os acontecimentos são reais ou apenas uma passagem cômica, para dar um “humor” ao filme. Mas, de qualquer forma, não acaba condenando o resto da obra como um todo. Ainda assim, é um ótimo filme e acaba valendo ser visto. Em tempos de fracassos épicos de Hollywood e de “blockbusters” duvidosos, The Call ainda se destaca.

Boa noite e até a próxima sessão!

Fontes que contribuíram para o post: rottentomatoes.com, imdb.com, wikipedia.org

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