Insidious – Sobrenatural

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Acabei vendo este filme por acaso, outro dia, e acho necessário comentar. Insidious (Sobrenatural) é uma obra dirigida por James Wan, conhecido principalmente pelo filme Jogos Mortais (diretor apenas no primeiro da franquia) e o recém-lançado Invocação do Mal – que vem sendo elogiadíssimo lá fora. Como quero ver Invocação do Mal e já havia gostado de sua outra participação no universo dos filmes de terror, com o filme Gritos Mortais, acabei optando por ver Insidious (Sobrenatural) para conhecer um pouco mais do diretor e os seus projetos.

Insidious (Sobrenatural) conta a história de uma família que se muda para uma casa nova e que, frequentemente, recebe a visita de situações sobrenaturais. As situações sobrenaturais ocorrem de maneira “tranquila” até o filho mais velho, Dalton, entrar em coma e a família perceber que tudo o que está acontecendo tem plena ligação com o problema do seu filho. História clichê, sim, mas que dividiu opiniões; teve gente que se apaixonou pela obra, teve gente que detestou. Eu, pessoalmente, achei bem interessante e gostaria de compartilhar minhas percepções.

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O filme conta com algumas viagens, elementos bizarros e uma série de referências que acabam criando uma obra sui-generis bem bacana. Os atores e os personagens principais não são o grande destaque, mas também não comprometem; com um desenvolvimento de atuação bem padrão, acabam por cumprir o papel que se espera deles na história e, como filmes de terror moderno, gritam, chegam a conclusões absurdas, choram excessivamente, fazem as mais tenras besteiras que acabam por acompanhar o roteiro que lhes segue. E, neste primeiro ponto, já podemos elogiar o trabalho do diretor; sem tentar disfarçar com uma “seriedade forçada”, vários papéis ao longo do filme ficam extremamente caricatos, lembrando em vários pontos as obras de Sam Raimi e que, por isto, confundem o espectador que, por hora, não sabe se aquilo é proposital ou em função do (talvez) baixo orçamento do filme.

Isto fica ainda mais visível em alguns personagens específicos – como o caso dos investigadores paranormais – mas também em vários dos fantasmas apresentados no filme, com uma maquiagem escrachadamente forte, levando a crer que o exagero da obra para seus atores e suas interpretações é, entre outras coisas, um dos elementos propositais da trama.

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Não só isto, a história e o roteiro se desenvolvem em um “sem fim” de situações que vão aumentando a bola de neve de bizarrices para chegar em um final absurdamente surreal e fantasioso – mas fantástico. As cenas de susto começam em poucas passagens, que vão gradativamente aumentando e tornando o clima do ambiente completamente maluco e psicótico; você começa achando que se trata de uma obra de suspense com um foco em pequenos fantasmas, mas do meio para o fim percebe uma atmosfera completamente maníaca e cheia de medo, personagens estranhos e segredos não revelados, que vão culminar em uma série de acontecimentos assustadores mas ao mesmo tempo fantasiosos ao exagero.

O diretor não poupa esforços para nos colocar em situações que arrepiem os cabelos: aumenta o som em várias cenas, coloca milhões de novos fantasmas sem nenhuma correlação, cria na casa um sentimento de eterna insegurança; como a família lá na tela, você espectador passará a obra inteira perturbado.

insidious-Joseph-Bishara-as-Demon-and-Ty-Simpkins-as-Dalton-in-INSIDIOUS-Courtesy-of-FilmDistrict1_rgbMas as referências não param em Sam Raimi. Do meio para o final, a obra ganha um contorno muito parecido com as obras de Argento, com uma pitada de terror atual, aonde tudo fica extremamente colorido (com muita saturação) e, não só isto, em ambientes completamente surreais. As últimas cenas do filme lembram muito as cenas da “trilogia das bruxas” criada por Argento, focando a história em cenários estilisticamente belíssimos, mas ao mesmo tempo cheios de terror e de criaturas insanas. O contraste da beleza se volta a estrutura estranha do filme e da situação dos personagens, que estão “presos” a um mundo horrível e não podem escapar por livre e espontânea vontade.

Não bastasse tudo isso, ainda temos uma trilha sonora meticulosa para garantir o suspense e intensificar as emoções do espectador, que são “levados” pela trilha a perceber o terror de forma ainda mais aparente. Isto já fica evidente na ótima cena de abertura, com os créditos, aonde as imagens em preto e branco contrastam com uma trilha presente, porém minimalista, aumentando o sentimento de “vazio” do ambiente e da casa.

James Wan é a “grande estrela” do filme que, visivelmente, ficou com uma cara singular e, embora cheio de referências, ainda assim, consegue inovar e trazer um belo filme de terror para as telas. As opiniões se dividem principalmente no caráter surreal de toda a trama da obra mas, ainda assim, até aqueles que talvez não tenham gostado, terão de admitir que, entre os filmes de terror atuais, este é um dos mais concisos e criativos. Vale a pena assistir e tomar uns sustos!

Boa tarde e até a próxima sessão!

Fontes que contribuíram para o post: filmow.com, google.com, imdb.com

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2 comentários sobre “Insidious – Sobrenatural

  1. James Wan foi e gravou “sem medo de ser feliz”. Não vi o filme inteiro porque assisti o final sem querer ao chegar na casa de um amigo. No entanto, gostei da estética surreal que me foi apresentada (mas não gostei da história o suficiente para querer ver do começo). Gostei tanto que fui ver Invocação do Mal no cinema e percebi a evolução do diretor (que trouxe o que tinha feito de melhor no Insidious: o medo através da combinação de um bom ângulo que mostra sem mostrar até mostrar tudo bem grotesco e uma trilha sonora acompanhando). Mas, em ambos os casos, estes filmes são tão bons porque não há bons filmes de terror ultimamente, pois do contrário seriam apenas “bons”.

    No entanto, não tiro o mérito do James que se destacou! E verei os próximos trabalhos, justamente, por acreditar nessa evolução apresentada que nos levará à próxima sessão com sustos!

    🙂

    1. Realmente, este é um fato que contribui para o Wan, sem dúvida. O mercado dos filmes de terror ficou saturado e ele se destaca, também, pelo demérito dos “concorrentes”.
      Mas, ainda assim, dados os últimos filmes dele, acho que ele tem potencial – principalmente se formos considerar a evolução dele. Em algums momentos ele peca pelos clichês do terror atual e, como você bem colocou, inclusive na história, que acaba sendo “mais do mesmo”; no entanto, ele soube msclar alguns elementos novos com referências antigas e está explorando isto de maneira cada vez mais madura. Se ele conseguir continuar se renovando e explorando o que já sabe fazer bem, é capaz de trazer coisas ainda melhores no futuro.

      Quanto ao novo Insidious (a sequência), ainda não vi, mas confesso que estou curioso. A crítica se dividiu bastante, alguns elogiando e outros detestando. Me parece que, se ele seguiu na lógica do primeiro, há um universo muito bom ainda pra se explorar.

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