Bron/Broen

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A gente não fala muito de séries – até deveria falar mais – mas hoje resolvemos comentar. Estamos terminando de ver esta série da BBC (é uma produção escandinava, ok, mas quem distribui é a BBC) que dá nome ao post e, mesmo sem chegar ao final, já podemos tecer comentários sobre o projeto: fantástico demais! Incrível! Bron/Broen é um daqueles casos de acerto do começo ao fim, sem discussões, incontestável, uma das melhores séries recentes e, para muitos ávidos espectadores caçadores de seriados, infelizmente Bron/Broen passou despercebida.

Como dito, série da BBC e, por isto, como a maioria dos projetos da emissora, Bron/Broen tem um caráter meio “alternativo” e talvez esta seja a razão de não chegar ao grande público brasileiro; neste caso, o caráter “alternativo” é bem evidente, na medida em que a história da série se passa em um crime ocorrido na ponte de divisa entre Suécia/Dinamarca e, como é de se esperar, o projeto todo se desenvolve falando nos idiomas de lá, ora dinamarquês, ora sueco. Curioso, não? São poucos os filmes ou séries que chegam para o Brasil com os idiomas escandinavos e, dada a escassez de legendas e/ou entendimento mais claro da língua, muitos ótimos projetos passam em branco pra gente (aqui no blog, inclusive, já comentamos sobre alguns filmes desta região).

Como era de se esperar pela sinopse escrita ai em cima, enfim, Bron/Broen é uma série policial, um thriller, ou qualquer outra definição que vocês preferirem chamar. A dinâmica do seriado é, justamente, explorar o universo das duas polícias diferentes, com uma equipe integrando um policial dinamarquês (Martin) e uma policial sueca (Saga), trabalhando juntos para resolver um crime tão peculiar. Tal qual o crime, os personagens principais são ainda mais peculiares; Martin (interpretado por Kim Bodnia) é o típico policial de filmes americanos: folgado, quebrando as leis de conduta, o estereótipo do homem viril, pai de família e com problemas de relacionamento com suas ex-mulheres – e a atual esposa também. Já Saga (interpretada por Sofia Helin) é o oposto: cheia de considerações morais e seguidora das leis, workaholic e concentrada na investigação, além de uma pessoa com sérios problema de percepção das relações humanas, ela basicamente vive pela polícia. Ambos, cada qual no seu universo particular – representando, claro, as diferenças entre nacionalidades, também expressas nos idiomas – fazem dos policiais uma equipe sui-generis dedicada a solucionar um crime mais sui-generis ainda. E nesta contradição de comportamentos, sociedades e classes, a série ganha a discussão sobre “diferenças na metrópole”.

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Apoiados pela ótima trama e pelos ótimos personagens secundários – como os repórteres, a família de Martin, além de assistentes sociais e outros – há um conjunto de grandes atuações e de bela fluidez de roteiro, méritos do inteligente time de roteiristas (ver completo, aqui) que, antes de tudo, entenderam muito bem o conceito do thriller. Cada episódio parece um “mini-filme”, sujeito a diferentes análises, começo, meio e fim, dentro de uma expectativa de, aos poucos, ajudar a “ligar os pontos” do crime e das investigações. Misturando bem o conceito do realismo do trabalho policial com um crime pra lá de fantasioso e completamente fictício, além de integrar a “beleza fria” das cidades de “quase sempre inverno” do mundo escandinavo – com ótima fotografia – Bron/Broen supera a expectativa e cria um ambiente muito belo e confuso, discutindo sobre problemas mas, ao mesmo tempo, trazendo a graça da caricatura de personagens extremos e pequenas cenas de um leve humor satírico.

Eu sou fã assumido das séries da BBC mas, desta vez, eles superaram até minhas expectativas. No geral, mesmo com ótimas produções, a BBC sempre fazia algumas séries com um caráter mais longevo da realidade das grandes blockbusters americanas, justamente por possuírem um ar mais sério, pensante, com roteiros mais densos em discurso e narrativas mais lentas, com poucas cenas de ação e focadas nas falas dos personagens. No entanto, ao trazer Bron/Broen, a BBC provou que pode adentrar no “universo da ação” mas, ao mesmo tempo, manter a característica das séries da emissora – focando nos discursos e nas falas – mesclando um pouco de cada mundo diferente: o melhor das séries inglesas e o melhor das séries americanas. Bron/Broen não só superou as minhas expectativas como a de muitas outras pessoas, não à toa já ganhou sua versão americana (conhecida como The Bridge) e uma versão francesa (que, ao que indica, se chamará de The Tunnel) e, por isto, deve fazer sucesso em breve por aqui, mesmo que, atualmente, os brasileiros pouco conheçam.

Bron/Broen é fantástica e rica em tudo: grande direção, ótima trilha sonora, fotografia maravilhosa e uma história envolvente. Para os amantes de seriados é uma boa dica e, além de tudo, como é relativamente curta e cada temporada apresenta uma trama nova, é bom para aqueles que não estão afim de “se prender” durante dias ou semanas na frente da TV. Um episódio por dia e em uma semana você já viu tudo que, como eu disse, vale muito a pena ser vista!

Boa noite e até a próxima sessão!

Fontes que contribuíram para este post: imdb.com

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