It’s happening again – Twin Peaks: o que devemos esperar?

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Meus caros, o que era sonho se tornou realidade. Faz uns dias que nosso tão aclamado David Lynch anunciou, junto com seu amigo Mark Frost que, sim, como Laura Palmer previu, todos nós nos encontraremos depois de 25 anos. E, agora já com os pés no chão, todos nós já sabemos: Twin Peaks ganhará novos episódios! A série mais emblemática dos anos 90, quiçá de todos os tempos, aquela com um dos finais mais insanos que o mundo já viu, finalmente e felizmente, depois de muito tempo, vai ganhar uma breve continuação para esclarecer várias de nossas dúvidas mas, porém – pode ter certeza, se depender da dupla de diretores – acrescentar muitas outras.

Como já dito, a série vai acompanhar a cronologia e, possivelmente, se passará 25 anos depois dos fatos ocorridos no último episódio da segunda temporada. Neste ponto, Lynch e Frost foram sensatos, principalmente por um motivo: alguns atores já morreram e qualquer tipo de flashback ou sequência teria de ser feita com novos atores, assim como os que sobreviveram já estão velhos e não se adequariam a determinados papéis se não acontecesse o salto temporal. Por isto, já de antemão temos esta informação de luxo. E se você não viu a série, por favor, não siga neste post porque tudo que vier na sequência é PURO SPOILER, baseado no que eu acredito que será a continuidade da história – ou ao menos espero que seja. Então, meus caros de bons corações, sigam-me:

Um dos episódios mais marcantes será a explicação para a explosão do banco. Por “sorte” dos diretores, incrivelmente a explosão do banco ajuda a livrar alguns dos personagens da história que os atores já morreram, o que simplesmente dá cabo na continuidade do roteiro sem maiores explicações: explodiram e ponto. Por outro lado, provavelmente teremos Audrey ainda viva, porque todo mundo quer ver Audrey viva. No caso, aposto nela com alguma sequela, um paralelo, talvez queimada, destruída pelo fogo, embasando a famosa frase “fire walk with me“; sinceramente, não imagino como ela possa participar da história mas, creio, ficará rancorosa e vingativa, sendo um dos personagens principais na resolução da trama da cidade. A cidade, por sua vez, confabulo eu que será o foco principal dos novos episódios; a resolução de Twin Peaks como um limbo entre o bem x mal, White Lodge e Black Lodge; por isto, notadamente, é importante o caráter mau, a desconstrução de determinados mitos – e aí entra a antes bela e boazinha Audrey, destruída e consumida pelo fogo, tanto em beleza quanto em personalidade: ela representará o aspecto negativo de Twin Peaks, a draga amaldiçoada que destrói tudo e todos.

Porém, não só ela, há outros personagens muito desejados; há o triângulo Leo, Bob e Shelley que eu creio não trazer muitas novidades (para tristeza de muitos). Leo foi consumido por Black Lodge ainda no final da série e não aparecerá na sequência, Bob e Shelley simplesmente serão um casal feliz de apoio para o desenrolar da trama, sem muitas artimanhas. Porém, de Lynch, sempre há uma carta na manga… e esta, tento acreditar que esteja exatamente neste casal; todos sabem que o ator de B.O.B. (a figura maligna do Black Lodge) já morreu e, se Lynch quiser chocar todos, será mister considerar algum tipo de referência entre o personagem de B.O.B. e Bob, por isto, poderemos ter alguma surpresa com o desenrolar da trama neste sentido e com o casal Bob e Shelley; talvez Bob assuma o lado negativo da Sala Escura? Talvez, 25 anos depois, ele seja o mau encarnado depois dos acontecimentos passados?*

*É importante lembrar que Bob e Audrey tiveram um breve flerte e, se minha concepção de Audrey consumida pelo fogo e desgraça estiver certa, com Bob transformado em B.O.B. tudo fará mais sentido: o relacionamento anterior de ambos se embasa na ideia de que Bob já tinha seu destino – ser o mau – e não poderia evitar.

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Na contrapartida do cenário aí de cima, há nosso amigo Dale Cooper, este, principal personagem e envolvido 100% no final bizarro da série. Aposto todas as fichas que ele será responsável por uma arquitetura cínica; fazendo a cronologia dos 25 anos passados na cidade, Dale Cooper segue morando lá e em contato com B.O.B. e a Sala Escura, mas não de maneira aberta – como foi com Leland Palmer – e sim em um viés de obscuridade silenciosa, sem ninguém perceber. Dale, nesta nova temporada, obviamente será dos principais braços de B.O.B, claro (talvez seu “assistente”, como o antigo Homem de Um-Braço-Só?), mas num aspecto muito mais sutil. Por isto, é importante considerar alguma relação entre Dale, a Sala Escura e o Bob da Shelley, no aspecto de “grande comunicador” do mau. Seria interessante se a história desenrolasse nesta parceria – e estou pagando pra ver que será algo do gênero: B.O.B. sendo Bob e Dale seu fiel escudeiro.

A Sala Escura, o grande mau mitológico da série terá grande força – pode ter certeza absoluta. Por isto, mesmo sem alguns atores já mortos que davam funcionalidade à lenda, Lynch dará um jeito quase mágico de recriar aquela coisa com algum argumento ainda mais macabro. B.O.B será figura principal, aposto. Dale Cooper estará mais incrivelmente abalado e introspectivo do que nunca, detetive e encarnado, 25 anos depois, lutando para compreender os acontecimentos do passado e se livrar deles – inclusive, Windom Earle ainda o abala (e aqui pode pintar mais um a reaparecer).

Outros personagens darão pano pra manga. James, que foi embora no último episódio, claro, retornará a cidade 25 anos depois – talvez como um dos protagonistas, tentando entender tudo que se passou lá. Com certeza James terá um papel importante na série e, como sempre foi, bom moço proativo, entrará de cabeça no desenvolvimento do roteiro; até porque, fisicamente, foi um dos atores que mais mudou e isto será muito importante, principalmente para descrever a passagem de tempo dentro e fora de Twin Peaks, abrindo algum paralelo com a situação temporal da Sala Escura. Além disso, a Sala Escura nos trará surpresas entre os mortos: sim, gente que morreu “desmorrerá”! Estou imaginando com muita fé que Leland Palmer e Laura Palmer retornam à trama, não como espectros mas como pessoas, o que ajudará a compor a estranheza desta nova temporada e, principalmente, os problemas psicológicos que um dos personagens principais (no caso, James) terá de enfrentar ao voltar a cidade e lidar com esta realidade. Mundo paralelo? Eventos de outro universo? Não, meus amigos, Lynch e Frost, falando do lugar mais macabro da Terra: Twin Peaks.

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Outro que ganhará forças é o Xerife Harry, num papel introspectivo e levado pelo tempo e por fracassos, apoiado no – agora – amigo cínico e ligado à Sala Escura, Dale Cooper. Neste ponto, no ciclo entre Sala Escura e “máscaras reconstruídas” (novas personalidades escondidas) é onde, provavelmente, a série vai se embasar, constituindo o mistério por cima da lendária Twin Peaks, cidade ou portal para outros lugares. Evidente que Lynch e Frost nos trarão mais surpresas e, meus amigos, podem escrever, um final épico, inesquecível e mais grandioso que o da segunda temporada. Uma coisa que estou contanto e quero: novos personagens maluquíssimos! Teremos, podem acreditar.

Em muita ânsia, muita esperança, o retorno de Twin Peaks foi a melhor notícia do ano. Resta a nós, espectadores, especular e imaginar, mas nada será tão grandioso quanto a insana cabeça dos criadores, que nos trarão um prato cheio de situações memoráveis. E, como prometido, 25 anos depois, está acontecendo novamente!

Boa Noite e até a Próxima Sessão!

Fontes que contribuiram para o post: google.com, youtube.com

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