Meu Amigo Totoro

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Mais um dos sucessos do Estúdio Ghibli, renomado e gigantesco no mundo das animações Orientais, Meu Amigo Totoro é um dos meus projetos favoritos criado por Miyazaki; como tantos outros, uma mistura que, bem, poderíamos chamar de ‘realismo fantástico’, ainda que dentro do universo de um desenho, mistura uma série de possibilidades diante de uma visão sobre sociedade disposta no universo asiático, assim como a criação de mundos mágicos infindáveis em razão desta sociedade.
É difícil tentar traduzir os filmes do Estúdio Ghibli em sinopses ou explicações sobre sua história, porque toda a grandeza da elaboração – e, aqui, Meu Amigo Totoro é destaque justamente por ser o mais explícito, extremo nisso – é uma mescla de possibilidades estéticas e discursivas, interpretadas muito mais numa viagem visual que se ressignifica ao dar propósitos para estas imagens; no caso de específico dessa obra, a grande sacada é o vislumbre dos extremos: uma família saudável, porém com um membro doente, que sai da cidade grande e retorna a uma cidade de interior, predominantemente formada por agricultores; na tensão exposta por não saber lidar com a calmaria do campo e um membro da família doente, as crianças começam a ‘fugir da realidade’ – ou não, aí está uma das graças do filme, nunca saber o que é propriamente real, misturando o possível e impossível em um terreno mundano: diferente dos outros filmes do estúdio, talvez Meu Amigo Totoro seja o que mais se dispõe a compor uma suposta realidade onde a magia é confundida não como um universo a parte, mas exatamente no cotidiano dos seus personagens na vida.

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Dentro disso, nós, espectadores, somos puxados da mesma maneira pelo absurdo; quando nos vemos assim como as crianças, assustados, extasiados, maravilhados e – por que não? – também curiosos, nos deparamos com a graça de uma beleza que só Miyazaki pode traduzir, em um mundo sublime maior e mais explosivo, cheio de vida e exageros que o mundo convencional mas, claro, sem esquecer, criando um gancho com o que acontece aqui; de certa forma, os contrastes não só servem, ironicamente, como contrastes; neste filme, eles dão forma à mágica: é por vermos o campo e a beleza das animações do estúdio… mas ao mesmo tempo por entendermos a angústia das filhas, por vermos a dualidade dos momentos no hospital (calmos, tranquilos)… mas depois nos depararmos com o mundo complexo e extremo (entre gritos e saltos e dormidas homéricas) de Totoro, compreendemos a necessidade da forma; o contraste, aqui, não se dá em palavras, ele é quase tátil, essa é a ideia de Miyazaki, jogar em nossa cara que estas contradições são essenciais na construção narrativa do absurdo, do seu ‘realismo fantástico’, onde as possibilidades – lindas, diga-se de passagem – ressignificadas em imagens, assim o são pelo que se constroem no que podemos ver.
Ao seu jeito, num exercício de extrema abstração, poderíamos imaginar Meu Amigo Totoro como um filme totalmente mudo e, ainda assim, diante da maneira como nos deparamos com os elementos, a estética, narrativa, as eventuais nuances da história, continuaríamos tão perplexos com a qualidade do que ele quer ‘nos dizer’ que, por isso, é fácil entender todo o carisma dos projetos do Estúdio Ghibli: como dito, se este caso exemplifica o auge de todos os ‘cacoetes’ (não de forma pejorativa) da equipe, bem, isso mostra o quão bom eles são; a compreensão de tal animação é tão profunda que ela se forma quase como mágica, também, com se o espectador fosse sugado diante de tanta magia ou tanta beleza ao ponto da coisa importar como é, quase metafisicamente, como se o todo, a obra, fosse uma construção tão densa de significados que se pudesse sentir em si – não apenas explicar por esquemáticas dispostas na escritura, bem como sinopses ou críticas.
Meu Amigo Totoro é uma linda película, talvez não a melhor do Estúdio Ghibli; mas, mesmo assim, imagino que seja a mais ‘simpática’, ou a mais condensada em tantos momentos que explique o sucesso de Miyazaki; vale a pena ser visto e revisto a exaustão. Bom Dia e até a Próxima Sessão!

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