7 trilhas sonoras sensacionais no cinema

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Um dos aspectos mais complexos do cinema é entendê-lo longe das imagens: muito embora a história aponte o contrário, primeiro o registro visual, depois a importância sonora – haja vista as décadas de filmes mudos -, ainda assim, as trilhas sempre estiveram lá. Dentre elas, algumas destacam-se mais que as outras e, por isso, gostaria de comentá-las aqui. Daí surge o posto: as 7 melhores trilhas do cinema, no qual enxergo parte importantíssima nas obras. Segue:

1 – Três Homens em Conflito

Um dos trabalhos mais premiados de Enio Morricone se apresenta aqui, justamente por seguir a narrativa estética desta obra-prima com o mesmo primor que a mesma merece. Ao ouvirmos as músicas, somos transportados, por elas, a todas as sensações de insegurança, suspense, alegria etc. que o filme transpassa, em um dos maiores trabalhos de construção de identidade pelo som. A famosa cena que fecha o filme é, em grande parte, um épico em virtude da trilha.

2 – Halloween

Carpenter é um diretor conhecido por este apreço e aqui não peca de maneira alguma. Se o seu personagem principal – o serial killer famosíssimo que deu unidade a toda uma classe de filmes de terror do mesmo gênero – não fala uma palavra, a trilha sonora do projeto, pelo contrário, faz jus ao gosto de Carpenter e é como se ‘desse voz’ a este personagem mudo, criando um dos maiores momentos do cinema de suspense de todos os tempos.

3 – Session 9

Esta é vanguarda, pois trabalha um efeito atmosférico interessante, no qual comentei aqui nos primórdios do blog. A trilha do filme, que é pra lá de suis-generis, tem um efeito estranho de constituir parte das cenas. O diretor do filme, Brad Anderson, famoso em outras obras, é outro que tem muito apreço com os sons, mas sua maior virtude está neste filme que poucas pessoas conhecem: ouçam este trabalho maravilhosamente bem feito e percebam o quão importante é o detalhe de imersão na diegese feito com uma música adequada, para dar solidão às cenas.

4 – Sinister

Este filme de terror atual tem lá seus muitos furos e divide opiniões; porém, sejamos justos, a trilha não é uma de suas dúvidas. O trabalho serve exatamente para a mesma função do item anterior, compondo os cenários em uma ambientação sonora de vanguarda extremamente interessante, dando nos detalhes que compõe a história uma vivência às músicas que estarão nas cenas: ouvimos efeitos como se fossem composições, montagens e colagens de sons para dar mais volume ao suspense através destes momentos no qual colocamos a ideia da obra em sua trilha.

5 – A Paixão de Cristo

Um professor meu havia indicado muito tempo atrás reparar na trilha deste filme e eu só fui fazer isto anos depois do lançamento. É, da mesma forma como o trabalho de Gibson ao relacionar aspectos clássicos da cultura da obra – como o latim, o aramaico etc. falados pelos personagens -, um dos elementos de restauro de situações: a música é toda constituída naquilo que se pode lembrar de cada momento ou cena composta na ideia de que as situações ocorreram dois mil e poucos anos atrás, fazendo jus à proposta de ser um trabalho ‘clássico’, até na sua trilha.

6 – Cannibal Holocaust

Este cult subestimado produziu uma das trilhas mais sensacionais de todos os tempos; com efeito, o filme talvez seja o primeiro projeto imitando um self-made movie, muito antes do próprio A Bruxa de Blair e tendo uma repercussão pra lá de dúbia: uns amam, outros odeiam. Não só isso, dado o grau de extrema violência gráfica, a trilha feita para a obra soa não apenas como um clássico, mas também muito irônica: toda a sensação passada na composição é exatamente o oposto do que o filme quer ser, funcionando, neste caso, como um personagem a mais, um elemento de caos em meio a uma sucessão de pequenas destruições causadas pela obra em questão e sua narrativa. A trilha, aqui, é mais um inimigo no montante de momentos sem nenhuma virtude, justamente por agir com sarcasmo no projeto.

7 – Suspiria

Argento é um dos diretores mais sensacionais que existe, ícone do Giallo mas, além disso, mais uma prova que, talvez, os filmes de terror e suspense tenham as melhores trilhas: em Suspiria, um dos seus grandes trabalhos, a música composta pelos Goblin é sobretudo uma exploração de efeitos e exageros dispostos no fato de que uma situação estranha pode – e deve – ficar ainda pior com sua música. A sensação de insegurança e de apreensão fica ainda mais hiperbólica ao ouvirmos os estridentes momentos compostos num certo tom de exagero, ao mesmo tempo que parece se encaixar extremamente bem com isso.
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