Creed

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Para celebrar a volta, nada melhor que uma crítica feita sobre um filme que vi enquanto voava: Creed. Enrolei, sim, a despeito de todos reviews positivos, e fui ver tardiamente quando não dava mais para fugir da obrigação: sentado numa cadeira de avião, sem absolutamente nada para fazer. Antes de começar já afirmo que, quem elogiou… acertou. Antes de começar também afirmo que toda crítica ao Oscar por ignorar este filme também foi justa.
Não apenas com a injustiça acometida a Sly, que eu realmente não acho o ponto mais alto da trama como ator coadjuvante, mas a obra é, em si, algo que ele conseguiu fazer na sua série original (Rocky), levando para uma nova-nem-tão-nova-assim dinâmica: se nos filmes originais da franquia ficávamos surpreendidos com o número de vezes que os mesmos clichês podiam ser reaproveitados de maneira sublime – afinal, Rocky nada mais é que a mesma história revista em momentos diferentes, com formas diferentes -, novamente em Creed isto é explorado do mesmo jeito. A capacidade da cine-série, que agora são duas – Rocky, mas também complementada por Creed -, em ser ‘igual mas diferente’ é algo surpreendente. Explico.
Quando somos apresentados ao ‘novo protagonista’, filho de Apollo Creed, então antigo rival de Rocky, nada além disso é como se fosse novo: todos os estereótipos dos velhos filmes estão ali, como a cena de treinamento, as adversidades do personagem, o treinador relutante etc. ad infinitum. Creed não é propriamente algo que nunca tenhamos visto, pelo contrário, é exatamente igual aos Rockys – o que, aqui, é elogio.
Há, no entanto, nesta sana de repetição, como dito, sempre um ar de novidade; os detalhes refeitos sempre com algum elemento diferente – como nos filmes originais -, em Creed, revelam que ainda há espaço para mais um filme da saga. Vemos o que já conhecíamos de Rocky original, com o advento da contemporaneidade: um protagonista negro, num bairro negro, com problemas de todas as formas expressos em linguagens modernas; seja na música, nos relacionamentos, nos cenários, Creed traz ao ‘velho Rocky’ o visual do atual em um filme revisitado com os elementos do hoje. Não apenas isso, como elemento técnico, tanto em cortes como tomadas e cenas – mesmo diante das lutas – apresenta uma renovação por trás de um realismo oriundo do fato de que, agora, com milhões em produção, a série pode, enfim, tornar suas cenas (principalmente de lutas) esteticamente bonitas. O filme, que fala de luta, afinal, remodela as velhas lutas da cine-série Rocky com um caráter também mais atual, explosivo, dinâmico e cheio de cenas de ação entre um corte e outro – não apenas nas clássicas cenas do treino ou do evento principal -, trazidas de uma maneira mais perfeita (pois quem bem lembra dos primeiros filmes de Rocky, vai se recordar de alguns problemas do baixo custo em ensaio).

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É daí que Creed, embora na mesma fórmula, consegue novamente ser bom, talvez até melhor que os outros: trazendo, inclusive na virada de papéis, como Sly agora em coadjuvante e não mais protagonista, esta ideia de renovação se firma no discurso por trás das situações: queremos ver, afinal – e claro! – os outros tão importantes personagens da trama inicial, como a família Creed, e como estes estarão ainda no meio do boxe, mesmo que não mais incisivamente – como a mãe de Adonis, renegando os anos de luta e assistindo a tudo de maneira tímida. Neste ponto, vemos daí que a grande fórmula da obra original, que é também novamente utilizada sempre com a mesma dúvida – ‘ainda há espaço para mais um filme da franquia?’ – é respondida nestes elementos, nas tramas e relações problemáticas, de personagens que precisam constantemente de um valor na superação para seguir adiante.
Alias, com um pouquinho de inovação, é assim que o filme avança em cada capítulo da série; se, em alguns caso atrás, duvidamos da capacidade de todos envolvidos em constituir um ‘grande filme’ (mesmo Rocky sendo reconhecidamente um), o ar nebuloso que sempre pairava uma nova produção e já finalizada am Rocky 6, agora com um ar de certeza garante a cine-série em novo patamar: não mais como um caso do acaso, ou um filme qualquer, Creed definitivamente eleva a sua condição como uma grande obra.

Toda a virtude dos atores novos e do seu envolvimento em renovar a trama com uma ‘cara local e contemporânea’ tem, sim, valor ao dar humanidade para série de um modo diferente, incluindo aí também o drama pessoal de Rocky, muito bem explorado por Sly. A tônica dualista visível na sucessão de acontecimentos revela que, por trás de todo complexo sobre um grande evento de boxe, há a necessidade de esmiuçar estas novas visões e ‘passar o bastão’ com honra, de um para o outro. Nisto, Adonis Creed, o personagem, é bem incluído numa missão que vemos, aos poucos, constituído momento a momento, até entendermos a sua necessidade pelo triunfo – e como Rocky entra nesta proposição, em apoio mas também como reflexo: Rocky, afinal, precisa descansar de alguma forma – agora não mais como ‘guerreiro’ nos ringues, mas em todos outros aspectos também.
Um ótimo filme, mais um para a série: vale a pena ser visto! Boa Noite e até a Próxima Sessão!

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