Histórias Arrepiantes de Disney

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Eu já comentei indiretamente sobre este filme por aqui e no meu outro blog, mas acho necessário lembrá-lo mais uma vez. Agora, toda obra e não apenas trechos, porque é realmente algo que precisa ser dito: esta é uma das maiores compilações do horror já feitas – e, como estamos um dia após Halloween, é importante citar!
Não, meus caros, eu não estou falando ‘a melhor compilação de horror para crianças’, porque seria mentira; este projeto funciona para qualquer idade! A despeito de alguns filmes contarem com as figuras favoritas do universo infantil da Disney – como o Pato Donald, que aparece em vários dos curtas -, não dá pra dizer que este é um filme de nicho, ao menos não um tão específico como uma obra propriamente infantil.

Todos os curtas inclusos são, a sua maneira, o melhor da narrativa clássica do horror; vejamos que, embora cada qual com sua referência, cenário, motivação, há uma dinâmica muito igual em todos os filmes ao transmitir o momento claustrofóbico no qual bons filmes do gênero são criados: situações no qual o personagem principal recoloca-se como uma parte tão ínfima de uma situação tão grande e avassaladora que todas suas tentativas, por mais mastigadas e óbvias, ainda assim, falharão de alguma forma, sucumbindo ao medo de seus atos não realizados para a criatura, ou situação, que o coloca no medo inicial do problema.

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Reparem como todas as tramas são ricamente opressoras por isso: sejam nos curtas de Donald, ou em Ichabod – tirando a clássica dança dos esqueletos, que não há desenvolvimento narrativo, apenas um apreço estético muito bem desenvolvido -, todas as outras obras recorrem a este medo conspirador no qual não há como afastar o personagem principal de seu fatídico destino. Todos os atos, afinal, confabulam para a formação do que lhes é negado, que se dá na relação do medo recolocado como uma ‘situação inevitável de eventos’; ou seja: o problema acontece de qualquer jeito.
Desta forma, mesmo que com caráteres talvez infantis, há um certo ar ‘adulto demais’ nesta obra da Disney, justamente porque a exploração do horror é feita em uma tangente muito delicada – e muito bem feita, diga-se de passagem -, no qual seus temas, por isso, tornam a repensar o horror como um objeto de situações inevitáveis e que, inclusive, disponibilizam a posição dos desenhos como algo ainda mais assustador: feito inicialmente, ou ao menos na premissa, ‘para crianças’, que estas obras sejam assim, tão boas, tão bem desenhadas, isto ressoa como algo para lá de macabro.
Há, no entanto, não apenas o esmero narrativo, mas como a qualidade de outras épocas da Disney, exposta num brilhante apoio incluído numa estética muito bem feita, em desenhos trabalhados numa época pré-digital, onde os frames eram todos compostos nos mínimos detalhes e a mão; todos os curtas são, também, maravilhosamente bem desenhados, entre colorações que ressaltam o escuro, a inclusão de uma constante sensação de ocupação pelo vazio refeito na ideia de uma noite plena, uma noite constantemente presente: todos os curtas parecem passar boa parte – senão todos – os momentos no qual não há mais luz, não há mais relações com o dia e toda a semântica por trás de uma sobrevivência comparativa nos elementos religiosos contrastantes e também clássicos, opondo a luz como salvação e a noite como morte, como vazio, como negação da vida, sendo assim o fruto originário de todo medo: o escuro é, em si, opressivo porque vemos menos o ambiente, o espaço que nos cerca.

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Daí, entre a dinâmica narrativa pra lá de adulta, apoiada num contexto classicamente estético do medo, o que vemos são estas maravilhosas e curtas peças da Disney, preteridas para qualquer um que se identifique com o melhor do horror, vale a pena ser visto e revisto, além de lembrado! Boa Noite e até a Próxima Sessão!

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