MIB – trilogia

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Estes dias eu li em um blog não tão conhecido sobre os filmes preferidos mais estranhos de certos diretores; dentre a lista, não me recordo sobre qual diretor, mas havia uma das figuras que considerava Homens de Preto 3 seu filme favorito e a maior obra de todos os tempos. De todas as vezes que eu vi a trilogia completa, nunca parei para imaginar o quão não apenas o 3, mas todos são muito bons e esta é uma das trilogias mais concisas do cinema contemporâneo. Fica difícil falar sobre uma série de peças na totalidade de suas obras e não como objetos separados, mas tentarei, aqui, dar os meus motivos para explicar o quão a trilogia é – toda – muito interessante.

Primeiramente, talvez, seja a força de seus personagens; ponto principal, mesmo com alguns problemas e furos na narrativa entre conexões dos projetos, há uma certa continuidade e concisão que faz bem às tramas, conectando-as não apenas pela história, mas também como o desenvolvimento das figuras responsáveis torna-se mais delicado e subjetivo ao passar do tempo pelos três casos; isto é algo comum em séries de televisão e principalmente nas cine-séries intermináveis atuais – como as de super heróis -, mas são poucas as obras que, como MIB, correspondem numa narrativa tão poderosa mas ao mesmo tempo leve; isto porque os elementos são todos diminutos em força ao deslocamento dos movimentos, colocados nos detalhes – como a irritação de K no passar dos filmes, cada vez mais rabugento -, ou na constante tentativa de agradar por J e criar um ambiente de amizade; nestas observações e ainda em personagens menores, como os vermes, hedonistas, malucos e cada vez mais viciados, vemos a continuidade – e linearidade – da trilogia ao lidar num cumprimento sútil com sua marca no exprimir destas relações uma qualidade e também uma mensagem: os filmes são conjuntos, por isso, porque necessitam do lastro construído para dar vazão à novidade do projeto mais recente. Eles não existem, afinal, como figuras isoladas – embora também sejam bons sozinhos, mas muito mais potentes juntos.
Nisso, apoiada em sua história, a utilização de um panteão muito bem costurado entre saber utilizar-se de suas imagens, efeitos e cenários para amarrar esta qualidade de linearidade dos seus personagens, nota-se que, como um universo crítico de apoio – mas também necessidade -, o decorrer dos ambientes no qual se inserem seus caracteres, que são estes que fazem uma rede de convencimento ao lidar com o que MIB quer ser, numa proposta de apresentar de certa forma até prosaica o que a vida dos alienígenas na Terra se encontra; por serem vidas como a nossa, exageradas pela caricatura dos efeitos nos corpos e formas mas de modo que se possa justificar a diferença mas também comunicar uma igualdade entre atos. Todos os ‘monstros’ da obra são, de certa forma, também espetacularmente humanos: com nossos vícios, nossos empregos, bandidos comuns como nós, o objetivo é que se façam como ‘humanos além dos humanos’. Daí, advindo dos problemas em seus personagens principais e também coadjuvantes, o universo disposto em correlacionar ambos se dá ao refletir as relações dos mesmos como agentes de causas ‘mundanas’: MIB é um filme policial, por assim dizer, onde a compreensão das motivações torna por ser o ingrediente espetacular, entender os crimes como tramas possíveis, tramas terráqueas com criaturas espetacularmente não terráqueas.

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Nesta ocasião e, ao contribuir com os laços dos personagens, de modo que estes estejam enquanto agentes especiais investigando crimes espaciais, mas que estes são, também, extremamente prosaicos, humanos, a obra se contextualiza em uma de suas mais belas camadas, no propósito de interpelar a humanidade não como um elemento isolado, mas anulando-a enquanto pode ser um elemento ‘do universo’ como um todo; como diria Carl Sagan, no pequeno bólido azul nos damos conta do elemento ínfimo que é a vida e sua indiferença. Deste modo, o que MIB faz é a transferência do universo fantástico ao realismo – daí, também, porque é uma obra policial -, colocando na vida do homem um potencial de compreender na ficção alguns laços sobre seu valor. Seus personagens são, enquanto agentes predestinados em ação especial, a resolver as próprias mazelas dispostas em si – projetadas no inimigo externo -, que se dão nesta dupla narrativa entre o dentro e o fora, como qualquer clássico do gênero, no qual entender internamente a humanidade dos protagonistas nos leva a entender a conexão deles com os crimes, ou o desenrolar de suas motivações ao resolve-los.
Nesta dialética de momentos, MIB torna-se uma obra tão ricamente interessante; ao saber se utilizar da estética do absurdo não como exagero sem sentido, mas como apoio de suas necessidades, MIB especula como o fantástico tem em seu mistério uma beleza ao entender a alma mais humana possível: longe dos alienígenas, o que nos rende ao pé desta grande trilogia é a conexão muito bem feita entre todos elementos retalhados numa obra concisa: olhar MIB é, ironicamente, não olhar o exagero que se vende na sua estética pela forma – isto apenas como soma, mais uma caraterística boa à trama para dar humor -, mas o lado profundo que conecta seus personagens a esta história de modo a torná-lo um pequeno grande clássico.
Boa Noite e até a Próxima Sessão!

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