Um Herói de Brinquedo

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Um Herói de Brinquedo é um dos maiores filmes de Natal de todos os tempos. Transitando num discurso contínuo, ele reúne, aos pouquinhos, algumas das coisas mais sui-generis – mas ao mesmo tempo natalinas -, na pele de uma pequena história pra lá de crível, explorada de maneira totalmente insana nos seus atos.
O Natal, além de grande festa de celebração é, sobretudo, um problema comercial: entre filas, brigas, compras, dívidas, fazemos da comemoração um dos – se não o – maior evento de compras da história; por isso, entender o momento não apenas como laços familiares, mas ATRAVÉS DESTES laços na ocasião das compras e caos é algo muito bem pensado. Não parando aí, claro, a utilização do drama de ação, interpretado enquanto personagens na diegese, mas utilizando-se do grande astro dos anos 80 Arnold em mais uma ‘comédia infantil’ dá o tom de sandice que o filme precisa para explorar sua história; volta, desta relação, que a narrativa dos eventos conturbados – e costumeiros – de um natal convencional, ainda mais um natal do hemisfério norte, com toda estética entre neve, renas, pinheiros e estas coisas que lá façam algum sentido, remete que estes ‘problemas pequenos’, mas corriqueiros, entre a confusão e o desespero que possam ficar ainda mais dramáticos se interpretados na pele do querido Arnold, um grandalhão saído de um universo completamente distinto ao que se espera do ‘homem de família’.
A narrativa dos sucessivos erros, tentando acobertar sua omissão costumas, transforma o objeto do filme, uma pequena comédia de erros, num verdadeiro épico natalino de modo a interpretar o cenário da metrópole americana como um emaranhado de ‘inimigos’ à situação. É como se transferissem, ao Arnold, o papel de Conan, guerreiro bárbaro da terra mística, ao pai de família num emprego cotidiano; mas a lógica é a mesma, convertendo a ação adulta numa ação conjunta em comédia no universo infantil tão bem feito e que Arnold já havia se saído muito bem em Um Tira no Jardim de Infância. No entanto, como propósito, temos a mesma situação: ao navegar pelo problema, explorando-o de maneira mais absurda possível, tentando contornar seu erro em algo provável e menos avassalador, a cidade torna a ser não apenas o cenário da epopeia mas, como dito, o próprio inimigo: desde seus transeuntes, ou o vilão na pele de um carteiro com problemas espelhados, mas também na briga entre papais-noeis, produtos falsos, guardas de trânsito, programas de rádio e paradas natalinas. É como se todos elementos conspirassem, daí, para que o problema não apenas não seja resolvido, como também torne a ser cada vez mais catastrófico.

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O stress contido no personagem de Arnold, ao ver, por isso, sua família cada vez mais distante, corrobora o tom de épico, no qual ele – e, disso, no gancho final, na pele de herói fantasiado – coloca-se sempre entre sua missão e o que isto o afastará de tudo que ele pretende ficar junto. Ao distanciar do humano criado e apaticamente longe de seus parentes, tentando pelo ato na compra do boneco ser o ‘herói de sua família’, no mar de inimizades criados no ambiente hostil da cidade, converte disso que Arnold transmute-se no herói que ele tenta comprar em boneco. Por isso, como bom épico, a mágica toma de elemento a trama num lado no qual este faz seus personagens serem parte tão considerável da narrativa que os mesmos se confundem com ela em um grau de conversão que o mesmo não é mais a busca imaginada, mas ele mesmo passa a ser o que busca.
Nota-se que, disso, a obra constitui muito bem entre atos a necessidade hiperbólica do que pretende: aos poucos, cena a cena, constrói-se uma situação incorrigível; por isso, como herói – e como a tradução do título no Brasil graciosamente fez, neste caso -, observamos que Arnold é a formação deste propósito ao longo do que se converte entre um ser humano comum em supra-humano e, no que advém, a sua religação com os laços familiares da maneira mais improvável possível, ao passar por inimagináveis perrengues e, sem querer, resolver tudo – como, claro, um bravo herói que não fugiu à luta do caos metropolitano em um Natal possivelmente frustrante.
Nesta tensão entre mundos, no ser e o não ser visto na figura do seu personagem principal, na mudança completa do caráter feita de maneira sútil entre cenas, tornando o acaso de um problema corriqueiro do Natal numa hipérbole maluca e cômica, Um Herói de Brinquedo mostra que os detalhes dão vida à trama, de modo que mesmo com o exagero dos seus atos, a costura simples e fina faz com que não nos sintamos invadido por isso. Entendemos – e participamos -, então, como o herói a navegar na sua missão, de forma a ver no filme além da comédia infantil natalina e, muito mais do que isso, mas um dos grandes filmes de Arnold que o fizeram um dos maiores mestres da comédia e ação. Vale a pena ser visto e revisto! Boa Noite e até a Próxima Sessão!

 

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