Trollhunters

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Nós já falamos sobre o filme numa antiga lista, mas precisamos falar sobre a série – que, diga-se, em nada se relaciona com o filme além do nome. Criada por Guillermo del Toro, baseada num livro homônimo, esta é uma animação disponibilizada pela Netflix, que conta a história de um garoto chamado Jim e seus amigo(s), relacionando-se com o mundo fantástico dos trolls após descobrir-se que Jim é o herdeiro de um medalhão e o único guardião capaz de ser treinado para impedir que os trolls maus (ou, Gumm-Gumms) possam dominar o mundo dos humanos – e dos trolls bons.

Num clássico enredo de ação, desenvolve-se nisto uma rede de arcos narrativos que representam o porquê das obras da Netflix cativarem tanto, mesmo como neste simples caso, ao ponto de serem (talvez) definitivamente o que há de mais vanguarda na linguagem de séries e afins para a televisão no momento, junto com a HBO; notem que, como uma animação infantil, o primeiro grande triunfo da série é justamente não se propor a reter a idiotização de seu público: as relações ocorrem com a naturalidade ao transitar no que precisam se desenvolver para explicar os conflitos e dramas, ao ponto que nada é simplificado demais para o entendimento de um público em questão; as crianças, assim, como espectadores primordiais, não são emburrecidas, de modo que a série se valoriza por isso, ao demonstrar neste acerto que pretende lidar com todo tipo de gente, inclusive o adulto, embora se retenha no seu nicho. Cada qual é, afinal, convidado a entreter-se com a animação por motivações diferentes, sem que o estereotipo seja exagero para afastar ninguém.

Daí, feito também por isso, notamos nos seus arcos narrativos um dos maiores eventos sobre o qual podemos colocar os pontos positivos da trama em evidência; como assume a não idiotificação, a série se desenvolve ao aprofundar seus caracteres não apenas pela ação ou adjetivações simplórias – que, inclusive, parece ser o rumo dos primeiros episódios -, de modo que a ação é atributo acessório à trama e não sua explicação, sua motivação em cenas de explosão sem contexto ou fim; seu grande momento é, por isso, como trata o aprofundamento das relações de Jim e seus amigos com os trolls bons, ao passo que seu treinamento começa a ficar mais complexo e as criaturas místicas passam a lidar com um fato até antes nunca ocorrido (um guardião humano), pensando neste novo tipo de relacionamento no qual todos estão pela primeira vez dispostos a lidar, num mundo dual que não se conflita, pois os trolls – notadamente – não pode circular sob a luz do dia.

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Neste ponto, enquanto a narrativa se desenvolve, visto já na animação anterior do diretor (o filme ‘Festa no Céu’), e também em alguns de seus filmes mais antigos, brilha a sabedoria de Guillermo del Toro a lidar com o aspecto visual da ficção, haja vista que outro triunfo de Trollhunters é a demanda estética visível nos limites do impossível, entre formas e cores exageradas, transbordando entre real e ficção uma correlação de brilho no qual tudo parece mais fantástico, ou belo, ou esteticamente levado ao limite na comparação entre ‘mundo convencional’ e ‘mundo dos trolls’ que, na teoria, deveria ser um lugar sombrio – haja vista a questão da não-luz solar -, e é justamente o oposto. Neste meio, o cenário, que funciona inicialmente como aporte à narrativa muito bem costurada nos arcos dos personagens, desenvolvido nas relações aprofundadas aos episódios, é também na estética que vemos a assinatura da série, cativando como seus personagens e seus ambientes de modo a colocar o espectador diretamente e precisamente naquele que é o esperado: o sentimento entre o novo mundo, disposto no impossível de criaturas até então fictícias, meramente imaginação. Ao sermos dragados para o sonho do impossível, disposto naquilo que o diretor pretende nos contar através de suas correlações visíveis na estética dos acontecimentos quase como em um sonho, entendemos, também, as partes que fazem assim a distopia entre não haver uma ‘real’ diferença naquilo que é – o real -, e aquilo que poderia ser – a ficção -. O discurso de del Toro faz parte deste pensamento, sobretudo nas relações de amizade desenvolvidas nos personagens coadjuvantes, de maneira que seja possível entender como todos são parte importante do enredo com o mesmo poder.
Nestes pequenos momentos, ao qual a série se costura já em ‘duas’ temporadas (cada arco narrativo tem 13 episódios; embora o Netflix tenha liberado como ‘uma’, já se pode dizer que são dois momentos distintos) e, mesmo com a morte precoce de um dos dubladores (o dublador de Jim era Yelchin, aquele ator que morreu aos 27 anos prensado pelo seu carro na caixa de correio), vemos que o projeto muito maduro pretende seguir adiante, ao longo de uma história que promete contar mais detalhes e desenvolver todos os pontos positivos, mostrando que até em animações infantis e mainstream podemos ser brindados com ótimos projetos. Boa Noite e até a Próxima Sessão.
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